Certamente Deus não é o responsável por essa confusão. O que Thomas Kelly disse a esse respeito vem agora à minha mente. Ele lembra aos seus leitores que Deus "nunca nos guia a uma intolerável situação de um estado febril ofegante."
Para reorganizar o nosso próprio mundo, a necessidade de simplificar é imperativa. Caso contrário, nós não conseguiremos encontrar descanso dentro de nós, não conseguiremos entrar nos profundos e silenciosos recessos de nosso coração, lá onde as melhores mensagens de Deus nos são comunicadas. E se por muito tempo vivermos nessas condições, nosso coração ficará gelado em relação a Cristo, e acabaremos nos tornando alvos da sedução, num mundo perverso. Que perigos nos assediarão se chegarmos a esse estado!
Lembro-me agora de uma advertência que Paulo fez aos seus amigos daquela comunidade ocupada, carnal, consumidora, de Corinto:
Mas receio que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também seja corrompida a vossa mente e se aparte da simplicidade e pureza devidas a Cristo - 2 Coríntios 11:3
Em certas horas eu também sinto o mesmo receio. "Apartar-se", como disse Paulo, é algo que pode ocorrer nos lugares mais insuspeitos: num lar em que todos os membros da família sejam crentes... numa igreja em que a verdade seja ensinada e em que Cristo seja exaltado... até mesmo num seminário, onde os estudantes estejam muito ocupados, sejam muito pressionados a produzir, sintam-se exaustos em suas tentativas de manter o equilíbrio entre o trabalho, os estudos, a recreação, as necessidades familiares, o descanso físico e os compromissos externos de seus ministérios.
Eu receio, confesso, que tal contexto possa desencaminhar alguns em relação à específica razão pela qual se matricularam no seminário: encontrar contentamento na simplicidade e na pureza devidas a Cristo.
Que estranho! No mesmo local em que homens e mulheres estão sendo treinados para se tornarem mensageiros e servos de Deus, há perigos bem reais que levam às consequências de uma vida complicada. Se aqui isso pode ocorrer, isso pode acontecer em qualquer lugar.
A nossa ocupação torna-se uma perigosa inimiga, sempre que ela levanta a sua cabeça doentia.
Extraído do livro Intimidade com o Todo-Poderoso de Charles R. Swindoll

